A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, junho 26, 2005

CNBB mostra a verdadeira face

Dirijo-me aos católicos: que tipo de respeito devemos ter por uma instituição que assina um documento desse?

Sinceramente, é um ato heróico ser católico no Brasil. Às vezes me dá vontade de seguir o caminho do Felipe e do Marcelo e virar ortodoxo.

Minha irmã vive insistindo para que eu participe de alguma comunidade católica organizada por um sacerdote. Para quê? Para encontrar mais facilmente o caminho do Inferno?

Banho de água fria

Cheguei a Aracaju decidido a não emitir um único comentário sobre o tal mensalão. Graças a Deus, talvez por constrangimento, já que a maioria dos meus familiares votou em Lula, todos evitaram o assunto. Até que peguei um de meus tios indignado com a corrupção. Ciente de seu fanatismo pelo PT, não resisti e me aproximei para escutar melhor a história: a revolta era contra as falcatruas do governador do estado, que é do PFL. Não é incrível?

Há um outro caso muito interessante a se contar sobre a postura dos aracajuanos. O prefeito é do PT e já foi provado que entre ele e o senador Valadares há troca de favores, um empregando os parentes do outro em cargos de confiança. Nunca ouvi um só comentário, de quem quer que seja, sobre este fato. Mas o governador, que reformou completamente a orla marítima, tornando-a uma das mais bonitas do Brasil, é acusado de ter esquecido os mais pobres, enquanto o prefeito é enaltecido por promover anualmente um dos mais caros espetáculos de forró de todo o Brasil, com duração de 2 meses, junho e julho, e shows praticamente diários. Ninguém se lembra de comentar o fato dele ter esquecido os mais pobres.

Já em Salvador, os governadores do PFL, por estarem ligados a ACM, apesar de serem sucessivamente eleitos como os melhores do Brasil, nunca conseguem vencer qualquer outra disputa eleitoral, principalmente na capital.

Acho que esses três exemplos são mais do que suficientes para mostrar por que não acredito que os atuais episódios envolvendo o Governo Federal sejam suficientes para manchar a imagem do PT. A lavagem cerebral foi mesmo bem feita.

segunda-feira, junho 20, 2005

"Carta ao Povo Brasileiro" defenderá a mobilização popular contra o "golpismo de direita"

Interrompemos momentaneamente nossa programação para fazermos uma relevante pergunta: existe golpismo de esquerda?

domingo, junho 19, 2005

Onde está o escândalo?

Sabendo da impossibilidade de mudar o mundo, costumo tentar ajudar aos que estão próximo, fazendo-os conhecer a verdade. Para tanto, envio e-mails regularmente a alguns amigos, tratando de assuntos políticos, religiosos e de ordem moral.

Não preciso dizer que a grande maioria deles votou em Lula para presidente. Muitos se arrependeram e passaram a reconhecer o erro, começando a prestar um pouco mais de atenção ao que lhes dizia.

Com o atual escândalo, alguns não entenderam por que parei de enviar mensagens. Imaginaram que eu me vangloriaria, que diria que já sabia de tudo, que era uma questão de tempo, coisas desse tipo. Estranharam meu silêncio. Se depender de mim, vão continuar estranhando.

Não é hora para comemorações nem indignações. São justamente essas atitudes que temos que evitar. A única reação adequada é a mais fria reflexão.

Se tivesse que lhes dizer algo, seriam palavras duras, e palavras duras têm que ser bem pensadas, principalmente para que não sejam ditas com raiva.

A minha preocupação é ajudá-los nessa reflexão, para que evitem a simples indignação ou a revolta. Foi assim que o Brasil reagiu contra Collor. De nada adiantou. Até hoje ninguém entendeu o que aconteceu.

É preciso entender o que está acontecendo. Sem o entendimento, a revolta e a indignação serão sempre em vão.

Para iniciar, seria bom que começassem pensando como chegaram a acreditar que o partido mais sem escrúpulos deste país, que assinou um acordo de apoio a várias organizações terroristas, poderia ser o representante da moralidade. Sim, porque todos eles sabiam disso, já que eu mesmo os informei. Mas quando digo que seria bom que pensassem nisso, não é para que descubram como foram tolinhos, enganados por espertinhos que se fingiram de santos. O detalhe está em perceber o que havia de podre neles mesmos para não enxergarem tamanha obviedade. Se esta podridão é também uma faceta da própria sociedade, aí já é um outro assunto, mas começar a avaliar as coisas dessa forma já seria um excelente começo.

O que há de errado com a moral do brasileiro? Esse é o ponto. É hora de cada um se escandalizar com os seus próprios atos, e começar a pensar se não é mais fácil criar heróis que não tenham seus próprios defeitos e, ao mesmo tempo, indignar-se quando esses heróis demonstram ser de carne e osso.

No próximo post, comentarei sobre a questão política em si, mas sempre relacionada com o aspecto moral.

quinta-feira, junho 16, 2005

Os pobres e os talentos

Na parábola dos talentos, Jesus nos conta que um servo recebeu cinco, o segundo dois e o terceiro um. O primeiro e o segundo foram produtivos e conseguiram duplicar a quantia que lhes foi dada, enquanto o último enterrou o dinheiro e devolveu apenas o que recebeu do senhor, sendo criticado por sua atitude.

Na parábola, Jesus também diz que melhor teria feito o senhor se, em vez de confiar o dinheiro ao terceiro servo, tivesse aplicado-o num banco, onde ganharia com os juros.

É óbvio que essa parábola pode ser interpretada de várias maneiras, mas uma delas - longe de ser a mais profunda - está em entendê-la de forma literal, ou seja, que melhor faz quem consegue tornar o dinheiro produtivo. Este ensinamento aparentemente se encontra em contradição com outros do próprio Cristo, quando Ele diz, por exemplo, para dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Observem que Jesus também não disse que melhor faria quem, em vez de produzir com o dinheiro recebido, entregasse-o aos pobres.

A contradição é apenas aparente. Todas as críticas à riqueza no Novo Testamento se devem ao fato de que o espírito é muito mais importante que a matéria. E se a riqueza é apenas material, de nada adianta. Mas também é verdade, e Jesus sabia disso, que sem a matéria o homem não sobrevive. E para tanto, é preciso produzir. Se no início bastava ao homem colher seu alimento das árvores ou pescá-lo num rio, à medida que a população foi aumentando, a necessidade de produzir bens foi se tornando cada vez maior.

Os pobres têm necessidades prementes que, se não supridas, podem levá-los à morte, por isso é necessário que os ajudemos. Mas não têm a capacidade, no mundo atual, de tornar o dinheiro produtivo, ou pelo menos não de forma que gere riqueza suficiente para que tenha significado econômico. Essa outra aparente contradição também já estava implícita nos evangelhos: os pobres precisam de ajuda, mas não podemos usar toda a riqueza para ajudá-los, porque assim não haverá poupança para investimento, e sem investimento acaba a produção, e sem produção não haverá mais quem possa ajudar os pobres.

É preciso que os ricos poupem dinheiro para investi-lo em atividades produtivas para que o número de bens aumente. Mesmo um aplicação bancária, como referida na parábola, acaba sendo produtiva, porque servirá de poupança para que alguém a utilize na produção.

É por não entender de nada disso que a Igreja, principalmente a da América Latina, defende apenas a tese de que é preciso ajudar aos pobres. Esquece inteiramente da necessidade de acúmulo de riqueza para que haja aumento da produção, tão necessária a todos, inclusive e principalmente aos pobres que ela tanto defende. Se toda a riqueza produzida fosse redistribuída, como quer a CNBB, não haveria mais como obter novas riquezas, e seria o fim. Bertrand de Jouvenel mostrou de forma clara em seu livro A Ética da Redistribuição que, mesmo que todo o dinheiro arrecadado pelo Governo fosse aplicado de forma justa, e não houvesse tanta corrupção, para que a renda fosse distribuída de forma igualitária, seria necessário que toda a população vivesse abaixo do nível da classe média baixa para que todos tivessem um padrão de vida minimamente decente. E ainda que todos aceitassem viver abaixo das condições de vida da classe média baixa, de nada adiantaria, porque logo em seguida, pela falta de poupança para investimento, a produção cairia dramaticamente e todos passariam à condição de pobres.

É óbvio que, à medida que o Governo esquece a produção, tributando-a para redistribuir renda, a pobreza aumenta ainda mais, o que faz com que ele aumente a tributação, o que aumenta ainda mais a pobreza, e assim por diante.

Conclusão: é preciso ajudar aos pobres, mas também é preciso produzir. A inteligência e o estudo, e não apenas a boa vontade, podem tornar possível a harmonização dessas duas necessidades.

segunda-feira, junho 13, 2005

Quando eu era pequeno...

Ouvi Olavo de Carvalho dizer que tinha complexo de burrice quando era jovem. Por achar que todas as outras pessoas eram mais inteligentes que ele, resolveu estudar. Comigo aconteceu algo um pouco parecido. Nunca tive a impressão de ser mais burro que ninguém. Fui o primeiro da classe do quarto ano primário até o terceiro científico. Mas era muito inseguro. Não entendia como todos tinham sempre o que dizer sobre qualquer assunto. Por medo de falar bobagem, costumava ficar calado. Tinha receio de me acharem um idiota. Só dialogava abertamente com quem já me conhecesse há um bom tempo.

Apesar de ter me encantado com as idéias socialistas, como quase todo jovem, especialmente o brasileiro, nunca as defendi publicamente, mas apenas em pequenas rodas de amigos, e mesmo assim com muita restrição e prudência.

A primeira vez em que me peguei defendendo com entusiasmo algum posicionamento político foi exatamente o anti-esquerdismo. Tinha perdido toda a insegurança e já não me preocupava com o que poderiam pensar de mim. Mas foi justamente quando me chamaram de idiota e tentaram abalar a confiança que tinha em meus estudos. Aconselharam-me a deixar aquilo pra lá, que não iria me levar a lugar nenhum. Disseram que eu era até um cara legal, mas que já estava perdendo toda a dignidade.

Enfim, todos os receios que tive na adolescência se concretizaram na minha vida adulta justamente quando não tinha mais nenhum receio de que se concretizassem.

Não sei exatamente por que resolvi publicar isso aqui. Deu vontade, simplesmente.

quarta-feira, junho 08, 2005

Uma tentativa de conversão

Da próxima vez que disserem que respeitam sua crença, não agradeça de imediato. Se for alguém de outra religião, tudo bem. Mas se for um ateu, devolva a gentileza e diga que também respeita a dele. Se a sua resposta o deixar intrigado, pergunte se acredita que um raio cairá sobre ele naquele momento. Ao responder que não, volte a dizer que respeita a crença dele. Caso o sujeito se ache inteligente e queira demonstrar que aquilo não é uma crença, mas algo racional, peça provas concretas de que é certo que um raio não o matará naquele instante. Assim você o fará perceber que o máximo que ele pode afirmar é que as probabilidades são mínimas. A racionalidade está então no sentido da probabilidade.

Se seu amigo não for um ateu militante, talvez tenha paciência suficiente para ouvir o restante de sua argumentação. Faça-o perceber que a sua crença também tem um fundo racional e que, na verdade, não acreditar nela é que tornaria o mundo irracional, para o qual seriam necessárias crenças ilógicas para servir de apoio a uma vida sem sentido. Se você for cristão, explique que a crença inicial do cristão é no relato dos evangelhos. Por ser a narração da vida de Jesus Cristo que mais faz sentido, e porque todas as outras tentativas de relatá-la fracassaram por exigir do ouvinte uma crença num tecido de coincidências muito maior que a descrição racional dos evangelhos, não há por que não aceitá-los. Insista que é a racionalidade que o leva a acreditar no relato dos apóstolos, assim como qualquer juiz acreditaria que o assassino de um crime foi aquele que foi encontrado com uma faca cravejada no coração da vítima. Outras explicações podem ser possíveis, mas nenhuma mais racional.

O passo seguinte é mostrar que mesmo a fé no sobrenatural não é irracional, pois seria leviandade não acreditarmos nas promessas de um Homem-Deus, depois de todas as provas que Ele nos deu em sua vida na terra.

Se tiver tempo, complemente. Diga que a metafísica cristã dá sentido à vida porque a vida tem sentido. Não é um sentido externo, que serve apenas de pretexto ou muleta. É um sentido que dá continuidade a toda metafísica clássica pré-cristã, e que, portanto, não foi simplesmente inventado, mas percebido e vivido por vários homens ao longo dos últimos duzentos séculos.

Se depois disso ele continuar achando que a fé cristã é apenas uma bobagem irracional, ore por ele e peça a Deus que o torne um pouquinho mais humilde e inteligente.

segunda-feira, junho 06, 2005

Quando rola a energia...

A primeira vez foi na piscina com a namorada. Estavam juntos há apenas 15 dias. Não foi um beijo como os outros. Ele sentiu que rolou uma energia diferente, mas não metaforicamente, porque João Carlos não apenas viu como doeu quando o raio de luz emergiu de seu peito. Era ela! A princesa da sua vida! Finalmente a havia encontrado. Perguntou se ela não sentiu o mesmo. Não, nem conseguia entender o que ele dizia. Impossível, como não percebeu? O fato é que nem tinha gostado muito do beijo.

Quis tirar a dúvida: beijou a primeira garota que encontrou na rua. Com exceção da dor do tapa que levou no rosto e das costumeiras estrelinhas que ocupam a visão nessas horas, nada de extraordinário. Contou a história a um amigo, que ficou empolgado. Que dom fabuloso! Pediu a João para lhe ajudar a descobrir se a sua namorada também era sua cara-metade. Era um pedido um tanto estranho, mas aceitou. A técnica era a seguinte: ele dava a mão ao amigo enquanto ele beijava a namorada. E então viu novamente. Uma luz, dessa vez avermelhada, partiu de seu tórax e desapareceu entre as nuvens.

A história se espalhou. Passou a ser requisitado para todos os encontros dos amigos com as namoradas. Ninguém que o conhecesse arriscava a se casar sem a sua avaliação. João começou a entender o significado das cores e da intensidade da luz. E dava conselhos baseados nesses critérios. Um deveria ser mais paciente, o outro menos farrista, a namorada de um mais compreensiva, a de outro menos agressiva, etc.

Certa vez, alguém lhe ligou relatando que seus conselhos foram muito bons e que sua mulher era mesmo maravilhosa, mas precisavam melhorar a relação sexual. Ficou de mãos dadas com o cliente enquanto ele transava com a esposa. Sentiu a dor, viu a luz e fez algumas recomendações. Ficaram satisfeitíssimos. Passou a ser requisitado também por grupos de swing e clubes de orgia. Nunca participava, ficava atento e organizava os casais, os trios e etc. de acordo com as cores e a intensidade da luz que saía do seu peito.

Começou a dar palestras e a atender pela internet. Exigia apenas que o cliente mantivesse a mão sobre o mouse durante o beijo, a relação, a orgia, etc. Não tardou a surgir quem se especializasse em ?técnicas de relacionamento com a mão sobre o mouse?, até que uma empresa fabricou um pequeno mouse sem fio que aderia à mão.

***

Enquanto terminava seu décimo primeiro livro de sucesso, João Carlos pensava em Manuela e no beijo na piscina. Por onde andaria?

quinta-feira, junho 02, 2005

Livraria virtual

Meu amigo Fabio Ulanin abriu um sebo virtual - Pasárgada Livraria. Os interessados devem enviar um e-mail para livrariapasargada@yahoo.com.br. Um anúncio mais elegante? Aqui. Em breve haverá um endereço para consulta online.

Livros

O questionário literário que anda circulando pela internet chegou até mim através do César Miranda.

1- Não podendo sair do Fahrenheit 451 (onde os livros eram proibidos e um grupo de pessoas começou a decorá-los e quem decorava um livro passava a ter como codinome aquele livro), que livro quererias ser?
A Prática do Amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso de Ligório.

2- Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Sempre fico perturbado e sou apanhado pelos personagens de Dostoiévski, principalmente Raskolnikov, de Crime e Castigo, Aliócha, de Irmãos Karamazov e o príncipe Míchkin, de O Idiota.

3- O último livro que compraste?
Aproveitei minha última viagem a São Paulo para comprar alguns livros que não são fáceis de encontrar em Salvador: Pensar na Idade Média, de Alain de Libera, El Amor o la Força del Sino e Doze Tipos, de G. K. Chesterton, O Simbolismo na Mitologia Grega, de Paul Diel, Sabedoria Tradicional e Supertições Modernas, de Martin Lings, A Educação Segundo a Filosofia Perene, organizado pelo prof. Donato, do grupo Pró-Vida, A Vida Intelectual, de Sertillanges, A Inquisição em Seu Mundo, de João Bernadino Gonzaga, A Idéia da Fenomenologia, de Husserl, Deus e a Filosofia, de Étienne Gilson, Que é Filosofia?, de Ortega y Gasset, Escolha e Sobrevivência, de Ângelo Monteiro, A Igreja e o Novo Mundo, de Alceu Amoroso Lima e As Cidades da Idade Média, de Henri Pirenne.

4- Os últimos livros que leste?
Tempos Modernos, de Paul Johnson, A Nova Riqueza das Nações, de Guy Sorman, A Consciência Conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante, Opção Preferencial Pela Riqueza e Em Berço Esplêndido, de J. O. Meira Penna, Um Espectador Engajado, de Raymond Aron, Cinco Lecciones de Filosofia, de Xavier Zubiri, Gramáticas da Criação, de George Steiner e Luz Sobre a Idade Média, de Régine Pernoud.

5- Que livros estás a ler?
O Espírito do Capitalismo Democrático, de Mickael Novak, Os Demônios, de Dostoiévski e História da Filosofia Moderna, de Sofia Vanni Rovghi.

6- Que livros que levarias para uma ilha deserta?
A Bíblia, Apologia de Sócrates, O Banquete e Fédon, de Platão e Sobre o Sermão do Senhor na Montanha, de Santo Agostinho.

7- Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Tiago Sacilotto e Francisco Escorsim, porque, não sei exatamente qual a razão, tenho a impressão de que acabarão me dando dicas do tipo de leitura que gosto, Fabio Ulanin, porque adora e é um profundo conhecedor de literatura, especialmente a portuguesa, e Gustavo Nogy, porque tenho curiosidade de saber o que anda lendo.