A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, junho 19, 2005

Onde está o escândalo?

Sabendo da impossibilidade de mudar o mundo, costumo tentar ajudar aos que estão próximo, fazendo-os conhecer a verdade. Para tanto, envio e-mails regularmente a alguns amigos, tratando de assuntos políticos, religiosos e de ordem moral.

Não preciso dizer que a grande maioria deles votou em Lula para presidente. Muitos se arrependeram e passaram a reconhecer o erro, começando a prestar um pouco mais de atenção ao que lhes dizia.

Com o atual escândalo, alguns não entenderam por que parei de enviar mensagens. Imaginaram que eu me vangloriaria, que diria que já sabia de tudo, que era uma questão de tempo, coisas desse tipo. Estranharam meu silêncio. Se depender de mim, vão continuar estranhando.

Não é hora para comemorações nem indignações. São justamente essas atitudes que temos que evitar. A única reação adequada é a mais fria reflexão.

Se tivesse que lhes dizer algo, seriam palavras duras, e palavras duras têm que ser bem pensadas, principalmente para que não sejam ditas com raiva.

A minha preocupação é ajudá-los nessa reflexão, para que evitem a simples indignação ou a revolta. Foi assim que o Brasil reagiu contra Collor. De nada adiantou. Até hoje ninguém entendeu o que aconteceu.

É preciso entender o que está acontecendo. Sem o entendimento, a revolta e a indignação serão sempre em vão.

Para iniciar, seria bom que começassem pensando como chegaram a acreditar que o partido mais sem escrúpulos deste país, que assinou um acordo de apoio a várias organizações terroristas, poderia ser o representante da moralidade. Sim, porque todos eles sabiam disso, já que eu mesmo os informei. Mas quando digo que seria bom que pensassem nisso, não é para que descubram como foram tolinhos, enganados por espertinhos que se fingiram de santos. O detalhe está em perceber o que havia de podre neles mesmos para não enxergarem tamanha obviedade. Se esta podridão é também uma faceta da própria sociedade, aí já é um outro assunto, mas começar a avaliar as coisas dessa forma já seria um excelente começo.

O que há de errado com a moral do brasileiro? Esse é o ponto. É hora de cada um se escandalizar com os seus próprios atos, e começar a pensar se não é mais fácil criar heróis que não tenham seus próprios defeitos e, ao mesmo tempo, indignar-se quando esses heróis demonstram ser de carne e osso.

No próximo post, comentarei sobre a questão política em si, mas sempre relacionada com o aspecto moral.

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