A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, junho 08, 2005

Uma tentativa de conversão

Da próxima vez que disserem que respeitam sua crença, não agradeça de imediato. Se for alguém de outra religião, tudo bem. Mas se for um ateu, devolva a gentileza e diga que também respeita a dele. Se a sua resposta o deixar intrigado, pergunte se acredita que um raio cairá sobre ele naquele momento. Ao responder que não, volte a dizer que respeita a crença dele. Caso o sujeito se ache inteligente e queira demonstrar que aquilo não é uma crença, mas algo racional, peça provas concretas de que é certo que um raio não o matará naquele instante. Assim você o fará perceber que o máximo que ele pode afirmar é que as probabilidades são mínimas. A racionalidade está então no sentido da probabilidade.

Se seu amigo não for um ateu militante, talvez tenha paciência suficiente para ouvir o restante de sua argumentação. Faça-o perceber que a sua crença também tem um fundo racional e que, na verdade, não acreditar nela é que tornaria o mundo irracional, para o qual seriam necessárias crenças ilógicas para servir de apoio a uma vida sem sentido. Se você for cristão, explique que a crença inicial do cristão é no relato dos evangelhos. Por ser a narração da vida de Jesus Cristo que mais faz sentido, e porque todas as outras tentativas de relatá-la fracassaram por exigir do ouvinte uma crença num tecido de coincidências muito maior que a descrição racional dos evangelhos, não há por que não aceitá-los. Insista que é a racionalidade que o leva a acreditar no relato dos apóstolos, assim como qualquer juiz acreditaria que o assassino de um crime foi aquele que foi encontrado com uma faca cravejada no coração da vítima. Outras explicações podem ser possíveis, mas nenhuma mais racional.

O passo seguinte é mostrar que mesmo a fé no sobrenatural não é irracional, pois seria leviandade não acreditarmos nas promessas de um Homem-Deus, depois de todas as provas que Ele nos deu em sua vida na terra.

Se tiver tempo, complemente. Diga que a metafísica cristã dá sentido à vida porque a vida tem sentido. Não é um sentido externo, que serve apenas de pretexto ou muleta. É um sentido que dá continuidade a toda metafísica clássica pré-cristã, e que, portanto, não foi simplesmente inventado, mas percebido e vivido por vários homens ao longo dos últimos duzentos séculos.

Se depois disso ele continuar achando que a fé cristã é apenas uma bobagem irracional, ore por ele e peça a Deus que o torne um pouquinho mais humilde e inteligente.